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Em análise: Olympus 35 RD

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Em análise: Olympus 35 RD

As máquinas de telémetro começaram a ser produzidas no início do século XX tornando-se particularmente apetecíveis anos mais tarde quando este desenho foi tornando cada vez mais compactas e leves as câmeras, mesmo em formatos de filme maiores. Os anos 60 e 70 foram particularmente prolíficos neste tipo de máquinas, e várias são as marcas que produziram modelos para todos os gostos.

Foram-se tornando cada vez mais pequenas e leves, não descurando, nos modelos mais elaborados, características de maior exigência, que rivalizavam muitas vezes com as rivais SLR’s por exemplo.

A construção mecânica e a forma como está elaborado o mecanismo de foco, permitiu essencialmente a redução de peso e tamanho, permitindo um transporte mais fácil e uma operacionalidade mais discreta, características muito apreciadas pelo consumo não só doméstico mas também profissional.

A Olympus 35 RD é um exemplo clássico deste tipo de câmeras no auge da sua produção e popularidade. Pertence a uma alargada linha deste género de câmeras da Olympus, sendo uma das mais procurados pela qualidade da sua construção, tamanho reduzido e boa qualidade ótica.

35 RD uma Olympus na palma da mão

Pequena e portátil, no entanto sólida e robusta na sua estrutura metálica compacta, a Olympus 35 RD é a típica câmara de telémetro evoluída dos anos 70, possuindo todos os mecanismos essenciais e necessários para qualquer tipo de fotografia convencional. Leve e de atuação discreta – todo o processo de avanço do filme, armação do obturador e disparo, é surpreendentemente silencioso – tem a grande vantagem de se transportar facilmente não causando o desconforto normalmente associado às SLR’s.

Pese a sua antiguidade e aparente fragilidade, são muito apelativas e actualmente bastante procuradas, sendo o seu aspecto clássico a par da sua excelente objectiva luminosa, factores valorizados tanto por colecionadores como por fotógrafos nostálgicos, embora considere que existe uma sobrevalorização do seu valor, como aliás de quase todo o material vintage.

Caraterísticas relevantes

A Olympus 35 RD tem incorporado um obturador Seiko que permite velocidades de 1/2 a 1/500 + B, de disparo agradavelmente silencioso e preciso, permitindo não só maior descrição no momento do disparo, como menor vibração e utilização de velocidades mais baixas sem recurso a tripé, com o bónus da sincronização do flash a todos as velocidades.

O visor desta pequena máquina é surpreendentemente brilhante e grande, no entanto sem controle de paralaxe, permitindo ainda a visualização dos diafragmas que o automatismo oferece para determinada velocidade escolhida pelo utilizador. Possui no entanto uma marca amarela e brilhante facilmente visível que marca o enquadramento, percebendo-se imediatamente que é ali que temos de colocar o nosso sujeito.

 

Este máquina dispõe de 3 tipos distintos de exposição: manual desacoplado de leitura, automatismo AE com leitura automática e modo flashmatic. O modo manual é directamente controlado pelos anéis da abertura e de velocidade à escolha do utilizador; o modo automático é o da prioridade à velocidade devendo colocar-se o anel dos diafragmas na posição A e escolher a velocidade pretendida que o automatismo fornece a abertura consoante a luz disponível; no modo flashmatic (não esquecer o flash na respectiva sapata) o automatismo está acoplado ao anel de focagem, e com colocação do selector na marca com o símbolo do flash, a máquina escolhe a abertura mais adequada consoante a distância do sujeito. Mecanismo bastante engenhoso que dá bastante liberdade na hora de uma boa flashada.

Mas considero que a sua maior qualidade é a objectiva Zuiko que integra o corpo da máquina, aberta a 1.7 e de muito boas perfomances óticas, principalmente entre f:4 e f:11, valores para os quais foi optimizada. De recorte agradável e desfoque harmonioso a plena abertura, atinge resultados de excelência fechando um par de diafragmas, podendo ser utilizada tanto em interiores com pouca luz como em solarengas paisagens cheias de detalle, sem nunca defraudar o exigente utilizador.

Esta lente possui seis elementos – um downgrade em relação à sua irmã maior, a 35 SP, que possui sete elementos e melhores características óticas – e como é típico nas lentes deste período, convém evitar luz forte directa dada a sua tendência para produzir flare. A utilização de um parasol é aconselhável. E aconselhável não só pela fraca resistência ao flare, mas também à luz parasita, que pode induzir em erro a leitura de luz da célula (de CdS), que se encontra na parte superior do anel frontal da lente. E já agora, convém referir a lentidão da leitura deste género de células que levam o seu tempinho a fornecer luz correcta – normalmente 2 a 3 segundos. Fotografias rápidas o melhor é mesmo em manual, uma vez que a célula neste modo está desacoplada.

Utilização da Olympus 35 RD

Evidentemente que não foi projectada para utilizações agressivas e intensas, apesar da construção sólida do seu corpo, todo ele em metal reforçado. É mais um complemento de bolso para aquela fotografia espontânea, rápida, porventura discreta, projectada com toda a certeza para uma utilização mais doméstica, embora capaz de excelentes resultados óticos.

Convém perceber como funciona todo o mecanismo de disparo. Para acionar a leitura da célula, será necessário pressionar o botão de disparo até meio, e aguardar uns segundos até a célula ajustar a exposição. Uma vez mantida esta posição, a medição fica memorizada, podendo recompor-se o enquadramento. Uma mais valia, ideal para retratos. Convém efectuar estes gestos lentamente de forma a evitar leituras erráticas, mesmo quando se pressiona o botão até ao momento do disparo. Às vezes é necessário repetir este processo; não se inquiete, é assim mesmo!

Como curiosidade, a 35 RD não tem interruptor de bateria. Basta colocar a tampa na objectiva e automaticamente a corrente eléctrica é interrompida. Caso se esqueça de colocar a tampa, fica já informado que não é da pilha, é mesmo o sistema que drenou a carga toda.

Altos e baixos

Não é uma câmera rápida, para quem dependa das medições efectuadas pela sua célula, como já se viu acima. E juntando a curiosidade de o anel de velocidades ser extremamente pequeno, entre esperar pela leitura e conseguir escolher a velocidade, o melhor mesmo é esquecer a fotografia espontânea e optar por enquadramentos mais estáticos, daqueles que não fogem.

A Olympus 35 RD utiliza originalmente as antigas pilhas de mercúrio PX625 de 1.35 volt. Já não se fabricam, questões ambientais, pelo que em sua substituição pode usar pilhas de ar-Zinco, ou uma dessas adaptações para pilhas modernas. Torna a coisa um pouco mais cara e complicada. Por ventura a aquisição de um fotómetro vintage e a utilização exclusiva da câmera em modo manual é uma alternativa a pensar.

A distância de focagem mínima de 0.85m também não ajuda nos pequenos enquadramentos, mas, pensando bem, quase todas as máquinas de telémetro têm esta limitação, basicamente como forma de prevenir o erro de paralaxe que é cada vez mais pronunciado a partir destas distâncias curtas.

Mas nem tudo é mau. O design sóbrio e apelativo, assim como a qualidade ótica conjugada com o tamanho discreto, tornam estas pequenas câmeras bastantes atractivas. Uso-a com frequência nas minhas viagens, onde entre uma paragem e um disparo ocasional de dentro do carro, permite-me fazer um registo interessante sem ter que andar a tirar SLR’s ou outra câmera qualquer, do saco para fora. Já para não falar das imagens feitas em interiores onde silêncio e discrição são aconselháveis, ou onde o tripé não é permitido.

O ideal mesmo seria uma Leica, mas enquanto tal não acontece, mais vale apostar numa destas, não sendo necessário hipotecar a casa para adquirir uma.

Características técnicas

Modelo: Olympus 35 RD
Marca: Olympus
Ano de fabrico: entre 1975 e 1979
Corpo: metalizado, coberto em pele negra sintética.
Obturador: Seiko mecânico de lâminas entre lentes, 1/500 a 1s + B
Lente: Olympus F.Zuiko, 40mm f:1.7 a f:16, 6 elementos
Filtros: rosca 49mm
Filme: filme 35mm, formato 24mm x 36mm
Célula: de Sulfito Cádmio
Sensibilidade de Filme: 25 a 800 Asa
Visor: telêmetro acoplado de dupla imagem, com marcação de enquadramento
Exposição: Modo Manual, Automático prioridade à velocidade e Automático Flashmatic
Focagem: 0.85m a infinito
Temporizador: sim, até 10s aproximadamente
Sincronização flash: a todas as velocidades. Sapata de flash e PC terminal de sincronização
Bateria: bateria de 1.35 volt PX625 1.35 ou MRB625 1.4 volt bateria de ar-zinco
Peso: aproximadamente 470gr


Mais fotografias da Olympus 35 RD. Mantenha o rato pressionado e mova-o para a esquerda/direita.

 

Veja no Flickr algumas fotografias tiradas com a Olympus 35 RD.


2 comments

    • Fernando Faria-
    • Junho 7, 2017 at 1:37 pm-
    • Responder

    Estou à espera da minha RD que está neste momento a ser sujeita a CLA. No entanto, deixo-lhe aqui uma dica relativamente às pilhas a utilizar nas Olympus telemétricas (SP, RC, RD e DC) para substituir as 625 de mercúrio. Eu uso as pilhas dos aparelhos auditivos mod. 675 e faço a redução do alojamento usando um anel plástico cortado à medida a partir de um tubo de rega gota-a-gota de 16 mm de diâmetro no qual faço um corte da largura do contacto negativo da máquina. Assim crio um encaixe reduzido para a pilha. Como as tampas dos alojamentos têm todas um pequeno orifício, o gás gerado por estas pilhas tem sempre escape. Funciona com tensões entre 1,3 e 1,4 V o que se aproxima bastante das pilhas originais e evita alterações eletrónicas ao fotómetro.

  • mm
    • Rollyn-
    • Junho 16, 2017 at 1:40 pm-
    • Responder

    Obrigado pela dica Fernando. Tenho conhecimento de algumas variações para utilização das pilhas mais recentes, mas esta parece-me uma dica muito boa!

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